Animais, sem alma, selvagens, escravos.
Por um triste período de tempo em nosso país era assim que negros e índios eram vistos e julgados. E com esse comportamento toda uma cultura se formou, toda uma crença se formou em torno de que uma cor era o que deveria determinar como viveria um ser humano.

 Veio a abolição da escravatura, as leis de proteção ao indígena e leis contra o racismo… mas mesmo assim esse espirito racista ainda permaneceu por muito tempo e ainda permanece mesmo que perdendo força. Hoje é crime desacatar uma pessoa baseada em sua raça e leis desse tipo são extremamente acertadas pois visam pelo menos diminuir o numero de incidentes desse tipo.

     O que traz o título de nossa conversa hoje é algo relacionado a educação, racismo, pobreza, igualdade e crescimento do país.
Como é de conhecimento de muitos a Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT, aprovou recentemente a reserva de 50% de suas vagas a alunos cotistas, isso significa que estarão concorrendo a essas vagas candidatos que se enquadrem nos requisitos para as cotas que são para indígenas, negros, alunos de escola publica.
Assim que a UFMT tomou esse posicionamento, um deputado estadual
Aray Fonseca (PSD) repudiou a ação e isso me motivou a escrever a respeito.
Em matéria que encontrei no site:
http://www.olhardireto.com.br que segundo afirma a matéria o deputado classifica essa ação como ação de exclusão e vai recorrer a justiça.
Irei colocar alguns trechos do texto que vocês podem encontrar na integra aqui.

Eu sou contra essa atitude da reitoria e dos conselheiros da UFMT, pois acho que não é por aí que vamos fazer com que as classes menos favorecidas tenham mais acesso à educação. Estamos invertendo os valores. O ideal é a criação de mais projetos de inclusão social como o ProUni, por exemplo, e não de exclusão social, como esse modelo de cotas aprovado. Precisamos é melhorar o ensino de 1º e 2º grau das escolas públicas investindo mais recursos, como parte dos do pré-sal por exemplo” – Aray Fonseca (PSD)

     Concordo que melhorar a base do ensino publico seria a real solução para nossa defasagem que nossos estudantes de escolas publicas tem, no entanto dizer que é uma inversão de valores… no minimo é ultrajante, me diga senhor deputado que valores seriam esses?
E ainda devemos lembrar que precisamos de uma solução imediata para com os estudantes de escolas publicas, negros, indígenas e pessoas de baixa renda.

No modelo que temos hoje, o ensino de primeiro e segundo graus nas escolas públicas deixam a desejar, porém as universidades públicas são as melhores. Com esse modelo adotado pela UFMT, pode-se fomentar conflitos raciais e sociais, que não existem no Brasil” – Aray Fonseca (PSD)

    Então o senhor reconhece que as escolas publicas são ruins e as universidades publicas são boas certo? E o que vamos fazer com os alunos advindos dessas escolas? Vamos relegar eles ao nada? Não merecem estar numa universidade publica? Vão poder pagar uma faculdade particular se nunca puderam pagar um colégio particular também?
E quanto aos possíveis conflitos raciais que não existem no Brasil, eles não existem porque estamos todos satisfeitos? Ou seria porque negros e índios não consideram inimigos outras cores e raças? E o inicio do conflito partiria de quem mesmo?

    Outro ponto a ser observado, segundo o deputado, é com relação à legalidade desta política, já que a Universidade Pública é custeada com recursos públicos, oriundos de impostos pagos em sua maioria pela classe média e média alta.

São os impostos pagos por essas famílias que custeiam a universidade e não podemos fazer com que essas pessoas tenham as chances dos seus filhos ingressarem lá, diminuídas em 50%” – Aray Fonseca (PSD)

     E o absurdo não poderia ser maior, uma vez que deliberadamente o deputado assume sua posição de que quem merece estar na universidade de qualidade e publica (de graça) são as pessoas de classe média alta pois como o mesmo afirma ERRONEAMENTE, que a maioria dos impostos são pagos por pessoas de classe média e média alta. Não poderia ser mais infeliz essa afirmação, uma vez que sabemos da carga tributaria de nosso pais e também sabemos que nossa população não se constitui majoritariamente de pessoas de classe media e nem alta é exatamente o contrario, somos um pais de maioria pobre e somos nós pobres que pagamos mais impostos até devido estarmos em maior quantidade, logo somos nós que mantemos a universidade publica e que segundo a visão do deputado não merecemos estar la.

    Para Aray, a aprovação de cotas na UFMT vai gerar um aumento na demanda por vagas das já deficientes nas escolas públicas de 1º e 2º graus, bem como a criação de universidades nos moldes americanos, que podem gerar uma debandada de mestres e doutores das universidades públicas.

     Realmente não entendo como tal coisa poderia acontecer, tendo em vista que mesmo com 50% das vagas reservadas a cotistas, ainda temos um numero enorme de vagas para os demais candidatos que são inegavelmente mais preparados para ingressarem na universidade, alem do fato que hoje o SISU possibilita a concorrência em varias instituições no brasil poupando inclusive o candidato de viajar para outros lugares para fazer o vestibular. E se levarmos em consideração que o aluno que não se enquadra nas cotas tem um rendimento considerável o mesmo pode viver tranquilamente em outros estados ou cursar uma universidade particular sem problemas, o mesmo não é possível para pessoas de baixa renda.

     Estamos com essas medidas corrigindo erros do passado, erros cometidos por políticos elitistas assim como você senhor Aray Fonseca (PSD) que acreditavam que somente os iguais a vocês poderiam ter acesso a educação de qualidade e hoje estamos com uma defasagem de profissionais no mercado pois o pa’is cresceu e não temos a mão de obra qualificada e se não agirmos rápido para colocar mais profissionais no mercado isso ainda vai se arrastar por muito tempo, tornando assim o desenvolvimento do nosso pais mais lento do que deveria ser.

     A aprovação de 50% das vagas para cotistas na UFMT foi extremamente acertada pois não é culpa minha ou de ninguém que povos do passado subjugaram seres humanos, discriminaram, torturaram e escravizaram. No entanto os tempos mudaram e vestígios desses mal tratos ainda são vistos em nossa sociedade e se mostram mais fortemente no tocante econômico e politico e é nossa responsabilidade corrigir isso pois somos todos iguais perante a constituição e se para garantir essa igualdade tivermos que lançar mão de artifícios como o sistema de cotas, assim faremos.

Por exemplo, quantos políticos negros eleitos você conhece? Ou ainda quantos negros de posição de destaque na sociedade você pode me dizer? Sabe por que não conhece tantos? Porque o racismo ainda existe.
Alem disso deputado, me diga se você foi eleito com votos somente de pessoas de classe media e media alta.
Tenho plena certeza que não, então temos aqui um cenário onde o senhor deputado
Aray Fonseca (PSD) estaria voluntariamente sabotando pessoas que ajudaram ele estar onde esta hoje.

Um comentário da matéria do:http://www.olhardireto.com.br que me chamou bastante atenção e vou reproduzir abaixo foi esse:

por: preto pobre/AGORA DOUTOR, em 01/11/2011 às 14:12

até os 17 anos era conhecido como negão nas escolas que frequentei, hj doutor, aquela cultura represiva que uma nação toda sofrera foi deixado pra trás no primeiro momento que tirei minha carteirinha do conselho, logo em seguido servidor publico federal assim visto um bom casamento é claro. Realidade que para nos negros é quaze um exemplo de vida um vencedor de uma rodada de negociatas, queria eu que essa história fosse para todos nós negros, que no meu entender no discurso do elustríssimo senhor deputado, todos (pobres pretos) somos iguais o acesso que nos difere portanto ele cuida dos acessos dos seus, é claro. Por obzequio senhor deputado Que cor que era a sua baba? empregada? ou jardineiro?. VC conta historia de negros para sua filha durmir a noite, quais referencia vc me traz na literatura-medicina-jurídico(conheço um)-hã? Tive vergonha de ser preto e pobre até a metade da minha vida. não aceitEI ser pobre e não entendia pq minha cultura sofria tanto exclusão sem ao menos termos HISTÓRIA DA AFRICA! para entendermos a AFRICA:> pergunto voce foi assessorado em que? politica brasileira – etnia brasileira – interesse brasileiro – e o AFROPOBRE brasileiro, conheçe?- O SEU INTERESSE DEPUTADO É DEFENDER OS SEUS é esta certissimo. PQ a minha classe excelência NEGROPETROPOBRE não consegue nem ao menos se organizar para poder eleger os seus. Necessitando humilhantemente que outros interagem em favor de nossos interesses e desabor de quem domina: PROVERBIO CHINÊS: SE O SEU EMPREGADO QUE GANHAR MAIS QUE VC, MANDE-O EMBORRA.

Parabéns deputado pela sua gratidão e dedicação ao povo de seu estado como um todo !

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